
Tenho saudades de quando eu sentava à mesa e com caderno e caneta, tecia versos.
Apesar de Cazuza e da realidade, sinto, ou tenho a impressão, de que para mim o tempo parou.
Parece sempre ontem e depois que os muros cobertos de hera ruíram e um silêncio abissal fez-se em minha mente, deixo de me preocupar, pois sei aproveitar essa tranquilidade agora, por que logo as águas se agitarão e eu terei de nadar, ainda muitas vezes, até à praia para escapar da escuridão do mar.
Mesmo que a vida pareça pequena, vou esperar que o amanhã traga a novidade que me mova e aqueça meu coração desabitado e triste.
Mas penso que sempre foi assim, desde cedo e mais tranquila felicito-me por meus 50 anos e pela trajetória rica de experiências e de momentos intensos.
Então eu vejo que o ontem trouxe-me vivência e se o hoje é pequeno, talvez seja o momentos de agradecer pela paz que me é dada.
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